Cósmeticos – A nossa grande Paixão

O texto abaixo é uma modesta tentativa de partilha de conhecimento da ibeauty, para com os seus amigos. Os assuntos que apresentamos são o fruto da recolha da informação que efectuámos junto de várias entidades da UE, nomeadamente da ECHA – European Chemicals Agency.

COSMETOLOGIA – UMA CIÊNCIA

A cosmetologia é a ciência que estuda os cosméticos, quer quanto à sua natureza química, física, biológica ou microbiológica, quer quanto aos seus efeitos, sua melhor forma de desenvolvimento, produção, aplicação e armazenamento.

COSMÉTICA – UMA ARTE

A cosmética, é a arte que se dedica, não só à manutenção do aspecto natural do corpo, mas também procura melhorá-lo mediante a prática de cuidados especiais, e da utilização de produtos auxiliares e de conservação, os produtos cosméticos. 

Os primeiros registos da utilização de cosméticos, na Antiguidade, datam do Egipto Antigo, há mais de 5000 anos. Já então os egípcios pintavam os olhos para evitar

 a contemplação direta do deus do Sol, usando cera de abelhas, mel e leite, na preparação de cremes. Por outro, ao que se sabe, Cleópatra, tomava banho com leite de cabra, para deixar a sua pele mais macia. Por outro lado, é também conhecido que os homens pré -históricos pintavam o rosto e tatuavam-se, utilizando cascas de árvores, terra, seiva de folhas e orvalho.

PRODUTO COSMÉTICO

Qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as partes externas do corpo humano (epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos) ou com os dentes e as mucosas bucais, tendo em vista, exclusiva ou principalmente, limpá-los, perfumá-los, modificar-lhes o aspecto, protegê-los, mantê-los em bom estado ou corrigir os odores corporais)


COSMÉTICOS - O QUE SÂO?

Na Europa, a definição de produto cosmético é a que está estabelecida no Regulamento Europeu 1223/2009, onde está escrito que: Os cosméticos encontram-se agrupados em:
Produtos para cuidados da pele, cabelo e couro cabeludo, que ajudam a manter a pele e os cabelos, limpos e saudáveis. Para alcançar tais objetivos, é necessário entender a fisiologia de como manter nossa pele e cabelos em condições normais de saúde, bem como desenvolver os necessários ingredientes ativos, e as formulações básicas. Produtos para maquilhagem, coloração de cabelo e perfumes que ajudam a decorar nossa aparência. Para tal é necessário aprofundar conhecimentos em “estética” através de áreas como psicologia e arte.
Na Europa usamos, em média, pelo menos sete produtos cosméticos diferentes por dia. Eles vão desde produtos de higiene como sabonete, champô, desodorizante e pasta dentífrica até aos produtos de beleza como perfumes e maquilhagem. Os cosméticos contêm muitos produtos químicos – veja atentamente os rótulos dos produtos, nomeadamente a lista de ingredientes.

SEGURANÇA DOS CONSUMIDORES

A Europa tem as leis mais abrangentes sobre cosméticos, no mundo. O regulamento sobre cosméticos, 1223/2009, contém anexos que especificam as substâncias que podem ser usadas, aquelas que possuem restrições específicas e aquelas que são proibidas.

Alguns produtos químicos, usados em cosméticos, podem causar reações alérgicas. Estes ingredientes são muitas vezes feitos pelo homem, mas também podem ser de origem natural. “Natural”, portanto, nem sempre significa necessariamente maior segurança.

As substâncias que podem causar alergias tendem a ser conservantes e perfumes. Conservantes estão lá para prolongar o prazo de validade de um produto e matar as bactérias que de outra forma cresceriam nele.

Antes de colocar um produto cosmético no mercado, os fabricantes devem certificar-se de que os seus produtos, são sujeitos a uma avaliação científica da sua segurança. Eles precisam de enviar as informações de avalia ção às autoridades europeias por meio de um portal de notificação de produtos cosméticos (CPNP), mostrando que a substância usada no produto não representa um risco para a saúde. As autoridades competentes, de cada estado membro da UE, realizam fiscalização do mercado e realizam testes aos produtos. Estas autoridades podem retirar produtos que contenham produtos químicos proibidos. Estas intervenções são reportados à Comissão Europeia, que partilha a informação entre todos os estados membros da UE, através do “sistema de alerta rápido” RAPEX. Em Portugal a autoridade competente é o INFARMED I.P.

Os consumidores, estão continuamente expostos a produtos químicos através do uso de uma ampla gama de produtos para cuidados pessoais. Muitos desses produtos são usados diariamente e de maneiras diferentes. Ao fazer isso, supomos que os produtos destinados a melhorar nossa higiene pessoal e aparência não nos prejudicarão.

Os Ingredientes cosméticos, tais como conservantes, corantes, corantes capilares, filtros UV, fragrâncias e nanomateriais, são especificamente controlados sob a Regulamentação Cosmética na Europa. Desde os anos sessenta, um comité de peritos independente – Comité Científico da Segurança dos Consumidores (SCCS) – aconselha a Comissão Europeia sobre a segurança de ingredientes cosméticos para apoiar decisões regulamentares sobre se um ingrediente químico deve ou não ser permitido em produtos cosméticos, e condições de uso.

A nossa pele é a maior superfície exposta do corpo, que nos protege atuando como uma barreira eficaz contra germes, partículas, etc. A pele, no entanto, nem sempre é uma boa barreira contra produtos químicos, alguns dos quais podem, até certo ponto, não apenas ficar na pele, mas ser absorvido pelo corpo. Os produtos químicos também podem penetrar no corpo, através da boca ou dos pulmões, por via de alguns produtos de higiene bucal ou aplicados nos lábios, ou ainda de alguns produtos em spray e aerossol. Considerando a natureza frequente, e íntima, do nosso contato com produtos de higiene pessoal e beleza, a existência de uma visão geral de segurança rigorosa, fornece uma proteção vital para o consumidor.

"No Egipto, ainda na Antiguidade, a aparência do cabelo estava diretamente relacionada com o status."

O PROCESSO DE AVALIAÇÃO

A avaliação visa particularmente excluir qualquer risco de segurança de produtos químicos perigosos, que podem ser um CMR (carcinógeno, mutagénico ou toxina reprodutiva), ou podem permanecer e acumular-se no corpo ao longo do tempo. Os nanomateriais podem causar diferentes efeitos prejudiciais, em comparação com as formas das partículas de maiores dimensões dos mesmos produtos químicos. 
O processo de avaliação de segurança é muito minucioso e leva em conta informações detalhadas sobre as propriedades físicas e químicas de um ingrediente, seu potencial para causar efeitos prejudiciais, e a exposição do consumidor a esses produtos.

Também garante que um ingrediente químico é suficientemente puro, e não contém impurezas inaceitáveis que possam ser prejudiciais à saúde dos consumidores. O processo de avaliação, presta também especial atenção a certos grupos populacionais que podem ser mais vulneráveis – como bebés, crianças e mulheres grávidas, ou aqueles que podem estar mais expostos a substâncias químicas
cosméticas por meio da sua ocupação, como os funcionários de salões de beleza e cabeleireiros. Um parecer positivo do SCCS só é dado quando os especialistas viram evidências suficientes de segurança para excluir um risco para a saúde dos consumidores sob as condições previstas para o uso do produto. 

Como exemplo, a Comissão Europeia permitiu a introdução de 100 corantes capilares no mercado e proibiu outros 180 com base no parecer do SCCS ou devido à falta de provas necessárias para a segurança.
Portanto, deve ser reconfortante saber que um processo rigoroso de avaliação e autorização de segurança está em vigor na Europa antes que os ingredientes possam ser usados em produtos cosméticos, mesmo que a maioria das pessoas nem pense nisso. Essa é a prova real da confiança que depositam não apenas nos produtos cosméticos que compram e usam, mas também nas autoridades que regulam esses produtos e os fabricantes que os produzem.

NANOMATERIAIS – O QUE SÃO?

Um nanomaterial (partículas insolúveis ou bio-persistentes na escala de 1 a 100 nanômetros) é um material insolúvel ou bio persistente e fabricado intencionalmente. Na UE, as empresas devem especificar se o seu produto cosmético contém nanomateriais.

Os nanomateriais utilizados como corantes, conservantes e filtros UV devem ser autorizados pela Comissão Europeia antes de poderem ser utilizados em produtos cosméticos e devem ser rotulados na lista de ingredientes com a palavra “nano” entre parênteses após o nome da substância.

PROTECÇÃO DE ANIMAIS

A avaliação de segurança cosmética requer dados sobre possíveis efeitos nocivos dos ingredientes. O teste toxicológico de produtos químicos tem sido feito historicamente em animais. No entanto, o teste de ingredientes cosméticos em animais, ou a comercialização de um produto cosmético contendo ingredientes testados em animais, foi proibido na Europa desde julho de 2013. Portanto, as avaliações de segurança consideram cada vez mais dados derivados de modelos não animais (células cultivadas, modelos computacionais, etc). Testes de cosméticos em animais não são permitidos na Europa desde 2004. Também é proibido na Europa comercializar qualquer produto cosmético que contenha ingredientes testados em animais. Ainda assim, muitos ingredientes que entram em cosméticos também são usados em outros produtos, como em produtos farmacêuticos, detergentes e alimentos. Algumas dessas substâncias podem, portanto, ainda estar sujeitas aos requisitos de testes em animais, de acordo com essas leis. Ainda existem alguns testes que ainda não podem ser substituídos por métodos confiáveis que não envolvam animais, mas a UE e a comunidade internacional estão a trabalhar para desenvolver mais.

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Eng. Carlos Minez

Galardoado com a Medalha de Mérito do Sindicato Nacional dos
Engenheiros, Engenheiros Técnicos e Arquitectos e
Agraciado com o Título de Protector do Concelho dos Notáveis